O filme nasce do interesse da realizadora pelas práticas tradicionais de cura e pelos conhecimentos transmitidos entre gerações, acompanhando mulheres que mantêm vivo um modo de compreender o cuidado que resiste ao apagamento e à desvalorização dos saberes populares.
Em vez de tratar a benzeção apenas como uma prática do passado, “As Benzedeiras” olha para essas mulheres como guardiãs de conhecimentos que continuam presentes no cotidiano e que estabelecem relações profundas entre corpo, território, comunidade, espiritualidade e ancestralidade.
Realizado em diferentes regiões do Brasil, o longa reúne as histórias de Camila Gomes, de Florianópolis (SC); Josy Andrade, de Salvador (BA); A-yá Kukamiriam, de Manaus (AM); Rosa Maria, de Nossa Senhora do Livramento (MT); e Mametu Muiandê (Mãe Efigênia), de Belo Horizonte (MG). Cada uma possui sua própria maneira de benzer, e o filme acompanha parte de suas trajetórias, revelando como receberam a vocação para o benzimento, a relação das comunidades com essa prática, suas conexões com a religiosidade e a espiritualidade e, ainda, questões como a cobrança por esse trabalho.
A trajetória de Labibe Araújo no audiovisual atravessa diferentes funções cinematográficas. Integrante do Coletivo Coisa de Preto desde 2017 e associada à APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, a realizadora já trabalhou com direção de arte, direção de fotografia, assistência de direção, produção e realização de mostras e cineclubes. “As Benzedeiras” marca sua atuação como roteirista e diretora de um longa-metragem.
O projeto também se conecta à atuação da Sarasvati Cultural, produtora dedicada a projetos que valorizam a diversidade cultural brasileira e as relações entre saberes ancestrais e contemporâneos. Parte da pesquisa e das filmagens passou pelo Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, em Belo Horizonte, espaço de resistência e preservação da memória afro-brasileira, fundado por Mãe Efigênia na década de 1970.
O filme embarca em seu primeiro festival e integra a Seleção Oficial do VII Festival Cinema Negro em Ação de 2026.
Contemplado pelo edital Realizadores/2022, com recursos do BRDE/FSA – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, Fundo Setorial do Audiovisual e ANCINE, o longa dá continuidade a um processo de pesquisa que aproxima cinema, memória e cultura popular. A distribuição será realizada por meio do Edital de Comercialização em Cinema do MinC 2025.
Sinopse:
O documentário aborda histórias de cura e fé, através da trajetória de cinco benzedeiras de diferentes regiões do Brasil. Conectando tradição e modernidade, o filme retrata a prática da benzeção, sua importância histórica e espiritual e suas contínuas práticas em comunidades rurais e urbanas no Brasil.
Ficha técnica: Produção - Sarasvati Produtora Cultural
EQUIPE TÉCNICA PRINCIPAL:
Roteiro e Direção - Labibe Araújo ; Assistente de direção - Tepha Nascimento; Produção Executiva - Graziella Luciano; Assistente de Produção Executiva - Gabrielle Souza; Direção de Produção - Cida Reis; Coordenação de Produção - Fabiana Santos; Assistente de Produção - Sarah Awad; Consultoria de Argumento e Roteiro - Letícia Simões; Direção de Fotografia - Randy Vieira; Assistência de câmera - Sarah Cambraia; Som Direto - Montivia; Logger - Daniel Smith
Sobre a diretora:
Labibe Araújo é roteirista e diretora mineira, formanda em Cinema e Audiovisual pela UNA, associada à APAN - Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, e sócia da Sarasvati Produtora Cultural. Seu trabalho investiga memória, ancestralidade, identidade e cultura popular por meio do documentário, da ficção e da animação.
Em "As Benzedeiras", seu primeiro longa documental, assina a direção e o roteiro, ao mergulhar nas histórias de mulheres que mantêm vivos saberes ancestrais de cura e cuidado. Sua trajetória inclui documentários, curtas-metragens de ficção e videoclipes, além da direção do documentário "Minha Raiz".
Sobre a Sarasvati:
Com foco na valorização das manifestações culturais brasileiras, a Sarasvati se destaca por projetos que promovem a diversidade e o diálogo entre saberes ancestrais e contemporâneos. A produtora acredita que, ao contar histórias reais é possível conectar as pessoas com suas raízes e estimular uma visão mais sensível e plural do mundo.
