
A expansão ocorre em um momento importante para a companhia, que também atravessa um processo de reorganização financeira. No início de outubro, a Justiça de São Paulo homologou seu plano de recuperação extrajudicial, que contempla a renegociação de aproximadamente R$ 4,568 bilhões em dívidas.
Supermercados abertos durante toda a madrugada
Com a nova operação, o GPA busca atender consumidores que precisam realizar compras fora dos horários convencionais. A proposta contempla trabalhadores com jornadas noturnas, profissionais que atuam em turnos alternados e pessoas que procuram maior liberdade para organizar suas atividades diárias.
As unidades com atendimento permanente estão distribuídas pela capital paulista, região metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e cidades do interior, incluindo Campinas e São Carlos.
A iniciativa também alcança outras importantes capitais brasileiras, como Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Brasília.
O funcionamento durante a madrugada integra a estratégia de modernização dos serviços da companhia, procurando adaptar a experiência de compra aos diferentes hábitos e necessidades dos consumidores.
Atendimento noturno terá serviços de autosserviço
Para viabilizar a operação durante as 24 horas, o GPA adotará um modelo específico de atendimento no período noturno.
Determinados setores, como o açougue, funcionarão em formato de autosserviço, permitindo aos consumidores adquirir produtos sem depender da estrutura tradicional de atendimento dos horários de maior movimento.
A estratégia também integra as compras digitais. Clientes poderão utilizar aplicativos e sites das bandeiras participantes para escolher produtos e selecionar a modalidade Clique e Retire, com a possibilidade de buscar os pedidos nas lojas durante a noite.
Segundo Marcelo Prieto, diretor executivo de Operações do GPA, a ampliação do horário fortalece a proposta de proximidade com os clientes e acompanha as mudanças no comportamento de consumo.
A companhia aposta na combinação entre conveniência, acessibilidade e flexibilidade para oferecer alternativas de compra adequadas às diferentes rotinas da população.
Justiça aprova plano de recuperação extrajudicial
Enquanto amplia seus serviços, o GPA também avança na reestruturação financeira de suas operações.
Em 7 de outubro de 2026, a Justiça paulista homologou o plano de recuperação extrajudicial apresentado pela empresa, permitindo a reorganização de aproximadamente R$ 4,568 bilhões em obrigações financeiras.
O acordo recebeu a adesão de credores responsáveis por 57,49% do valor total das dívidas abrangidas, percentual superior ao mínimo legal necessário para sua aprovação.
O processamento do pedido havia sido autorizado em março. Com a homologação judicial, as condições negociadas passaram a ter validade nos termos previstos no plano.
Uma das principais mudanças está no alongamento dos compromissos financeiros. O prazo médio de pagamento das dívidas que não serão convertidas em ações passará de 2,1 anos para 6,4 anos.
A medida busca reduzir a pressão sobre o caixa e proporcionar maior previsibilidade financeira para a continuidade das atividades.
Credores tiveram três alternativas de pagamento
O plano estabeleceu três modalidades para a renegociação das obrigações, permitindo diferentes condições de recebimento.
Opção A — Escolhida por 88,40% dos credores: não prevê desconto sobre o valor original dos créditos, mas envolve participação em um aporte de R$ 200 milhões. Parte dos valores será transformada em títulos remunerados por juros, enquanto outra parcela poderá ser convertida em ações do GPA entre 2027 e 2031.
Opção B — Adotada por 8,34% dos credores: estabelece um período mais longo para a quitação, com vencimento previsto para 2036 e remuneração vinculada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
Opção C — Aplicada aos 3,26% restantes: contempla os credores que não aderiram às demais modalidades. Prevê redução de 70% sobre o valor dos créditos, com pagamentos programados para começar em 2032 e conclusão em 2036.
A reorganização procura adequar o cronograma de vencimentos à capacidade financeira da empresa, preservando recursos para suas atividades operacionais.
Companhia busca recuperar rentabilidade e fortalecer operações
Em manifestação sobre a homologação do plano, o GPA apresentou a conclusão dessa etapa como um marco de reorganização empresarial.
Segundo a companhia, a nova estrutura financeira permitirá concentrar esforços no aumento da eficiência operacional, na melhoria da rentabilidade e na construção de um modelo de crescimento sustentável.
Nesse cenário, a ampliação do atendimento 24 horas representa uma iniciativa comercial voltada à competitividade das bandeiras, especialmente em regiões com maior circulação de consumidores durante a noite.
O desafio será equilibrar a conveniência oferecida ao público com os custos adicionais de funcionamento, incluindo funcionários, segurança, energia elétrica e logística de abastecimento.
A rentabilidade das novas operações dependerá, entre outros fatores, da demanda registrada durante a madrugada e da capacidade de adaptar a estrutura das unidades ao movimento de clientes.
Nova fase combina expansão de serviços e disciplina financeira
A estratégia do GPA reúne duas frentes complementares: melhorar sua relação com os consumidores e fortalecer a sustentabilidade financeira do negócio.
De um lado, a oferta de supermercados funcionando ininterruptamente procura atender novas necessidades de consumo, proporcionando alternativas para quem não consegue realizar compras durante o horário comercial.
De outro, a reestruturação das dívidas amplia o prazo para cumprimento das obrigações financeiras, permitindo à administração reorganizar suas prioridades.
A evolução desses dois movimentos será importante para avaliar a capacidade do grupo de recuperar sua rentabilidade e manter a competitividade no varejo alimentar brasileiro.
Para os consumidores, a principal novidade é a ampliação do acesso aos supermercados. Para o GPA, o desafio será transformar essa conveniência em resultados positivos e duradouros.